Factsheet Menopausa e VIH

Roger Pebody, Published February 2017

Pontos-chave

  • A menopausa é natural do processo de envelhecimento de todas as mulheres.
  • Saber os sintomas esperados durante a menopausa pode ajudar a lidar com a experiência.
  • A terapêutica hormonal de substituição (THS) pode ajudar se os sintomas interferirem com a vida diária.

Translated from the factsheet Menopause and HIV.

A menopausa é uma parte natural do envelhecimento que normalmente acontece em mulheres entre as idades dos 45 aos 55 anos. Habitualmente o período torna-se menos frequente durante alguns meses ou anos, antes de parar por completo.

A menopausa é causada por uma alteração no equilíbrio das hormonas sexuais do corpo, que ocorre quando se envelhece. Os órgãos reprodutores femininos, apelidados de ovários, reduzem a produção de uma hormona, chamada de estrogénio e deixam de libertar um óvulo todos os meses. Depois disto, deixa de ser possível engravidar de forma natural.

Todas as mulheres vivem a menopausa de forma diferente, mas a maioria terá alguns sintomas.  Algumas mulheres têm sintomas severos que podem ter impacto significativo no seu quotidiano. Os sintomas mais comuns incluem afrontamentos, suores noturnos, dores de articulações e musculares, menor lubrificação vaginal, alterações de humor e perda de interesse no sexo.

A “perimenopausa” diz respeito à fase de alterações que conduz ao último período menstrual. A menopausa, propriamente dita, inicia-se logo após a ocorrência do último período.

Na Europa, a idade média com que uma mulher atinge a menopausa é entre os 48 e 54 anos. Algumas mulheres têm a menopausa mais cedo ou depois. Algumas mulheres atingem a menopausa antes dos 40 anos – isto é conhecido como falência ovárica prematura. Na maioria dos casos, não é conhecida a causa para isto.

Adicionalmente, alguns tratamentos e procedimentos médicos podem causar a menopausa. Isto inclui a quimioterapia e radioterapia para tratar o cancro, bem como a cirurgia para remoção dos ovários.

A menopausa em pessoas que vivem com o VIH

Alguns estudos sugerem que as mulheres que vivem com VIH podem iniciar a menopausa um pouco mais cedo ou ter sintomas mais severos que outras mulheres. O VIH ou a resposta do sistema imunitário ao VIH pode ter um impacto nos ovários e na produção de hormonas que afetam o processo da menopausa. Todavia, a investigação sobre este assunto é limitada e estas conclusões não são definitivas.

Os tratamentos para diminuir os sintomas durante a transição para a menopausa são os mesmos para as mulheres com e sem VIH. O tratamento para o VIH funciona bem em mulheres que estão em menopausa.

Sintomas

O primeiro sinal da menopausa é habitualmente uma alteração no padrão normal dos períodos. Pode haver intervalos maiores entre os períodos e estes podem ser invulgarmente leves ou pesados. Por fim, o período deixará de ocorrer permanentemente.

Saber o que esperar durante a menopausa pode ajudar a lidar com os sintomas sentidos. Por vezes as mulheres desconhecem se o problema está ligado ao tratamento para o VIH, ao próprio VIH ou à menopausa.

É frequente ter estes sintomas durante alguns anos até o período parar (a perimenopausa), podendo prolongar-se durante quatro anos depois do último período, apesar de algumas mulheres os sentirem por mais tempo. Durante esta fase, os sintomas podem aparecer e desaparecer.

A duração e intensidade destes sintomas variam de mulher para mulher. Se os sintomas incomodarem ou tiverem um impacto no quotidiano, deve-se falar com o médico. O principal objetivo dos tratamentos para a menopausa é aliviar estes sintomas.

  • Afrontamentos – sensações bruscas e repentinas de calor, geralmente no rosto, no pescoço e no peito, que podem causar transpiração.
  • Suores noturnos – afrontamentos que ocorrem à noite.
  • Dificuldade em dormir.
  • Interesse reduzido pelo sexo (diminuição da libido).
  • Problemas de memória e de concentração.
  • Secura vaginal e dor, comichão ou desconforto durante o sexo.
  • Mudanças de humor, como irratibilidade ou ansiedade.

As mudanças nos níveis hormonais podem causar outras alterações no corpo, que podem ter impacto na saúde a longo prazo. As mulheres perdem cerca de 10% da massa óssea durante o processo da menopausa, aumentando o risco de osteoporose (ossos mais frágeis) e fraturas ósseas. As mulheres que vivem com VIH podem ter maiores probabilidades de perder massa óssea que as outras mulheres, depois da menopausa.

Adicionalmente, existe evidência que a deficiência de estrogénio é a causa de algumas alterações químicas no corpo que fazem as mulheres ficarem mais vulneráveis às doenças de coração e ao AVC, depois da menopausa.

Diagnóstico e seguimento

O médico de família reconhecerá a entrada na menopausa com base nestes sintomas, o padrão dos períodos e idade.

“Alguns estudos sugerem que as mulheres que vivem com VIH podem iniciar a menopausa mais cedo e ter sintomas mais severos que outras mulheres”

Habitualmente não são necessários testes para diagnosticar a menopausa. Mas se se tiver menos de 45 anos, e nalgumas outras circunstâncias, poderá recorrer-se a uma análise ao sangue para verificar os níveis de hormona folículo-estimulante – níveis altos podem ser sinal de menopausa.

Tratamento e gestão

Caso os sintomas da menopausa incomodem ou interfiram com a vida quotidiana, existem tratamentos disponíveis. O objetivo dos tratamentos é aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

A terapêutica hormonal de substituição (THS) é o tratamento principal. Sintomas tais como os afrontamentos, a secura vaginal e a osteoporose estão relacionados com níveis baixos de estrogénio. A THS alivia os sintomas, repondo os níveis de estrogénio que diminuem naturalmente durante a menopausa.

Apesar de terem existido algumas preocupações de que a TSH pudesse estar ligada a  um aumento do risco de cancro da mama e doença cardíaca, isto aplica-se sobretudo a mulheres que estão sob determinados tipos de TSH durante um longo período de tempo.

O médico deve considerar cada situação individualmente, mas o consenso científico é de que geralmente os benefícios da TSH se sobrepõem aos riscos. Para além de aliviar os sintomas, a TSH ajuda a manter a força muscular e diminui o risco de problemas ósseos.

Os benefícios e riscos da TSH numa mulher seronegativa para o VIH também se aplicam a mulheres que vivem com VIH. É importante que o médico que prescreve a TSH tenha conhecimento do tratamento para o VIH em curso, uma vez que a dose de TSH poderá necessitar de ser ajustada. A TSH é normalmente prescrita pelo médico de família, mas o médico do VIH e o farmacêutico podem aconselhar sobre este assunto também.

Para a maioria das mulheres, é suficiente a TSH de combinação com duas hormonas (estrogénio e progestógeno). As diferentes formas de TSH combinam várias doses destas duas hormonas, e o médico de família pode ajudar a encontrar a melhor forma de TSH para cada pessoa. Deve ser tomada a dose mais baixa eficaz. A TSH está disponível em comprimidos, mas outros formatos tais como implantes, adesivos e gel para esfregar na pele podem apresentar menor probabilidade de aumentar o risco de coágulos sanguíneos.

Se se foi submetido a um histerectomia, é recomendada a TSH com estrogénio apenas. Se a menopausa ocorreu antes dos 40 anos, a TSH é sempre recomendada.

Estrogénio vaginal. Para aliviar a secura vaginal, pode ser administrado estrogénio diretamente na vagina usando um creme vaginal, um comprimido ou um anel vaginais. São libertadas pequenas doses de estrogénio (o equivalente a um comprimido de hormonas por ano), o que aumentam os níveis hormonais locais, mas não afeta o corpo todo.

Tratamentos não-hormonais podem ajudar. Estes incluem terapia cognitivo-comportamental (para ajudar com a irritabilidade e a ansiedade), suplementos de testosterona (para ajudar com a diminuição da líbido) e clonidina (para ajudar com os afrontamentos e suores noturnos).

O exercício físico regular e a redução da ingestão de cafeína e de álcool também podem ajudar a reduzir os sintomas.

Apesar de algumas mulheres usarem Erva-de-São-João (um produto ervanário) para reduzir os afrontamentos e suores noturnos, esta pode reduzir a eficácia de alguns medicamentos para o VIH – deve-se consultar o médico ou farmacêutico para saber se o seu uso é seguro.

Da mesma forma, a Erva-de-São-Cristóvão (um produto ervanário) pode ter impacto no fígado. Se o médico estiver informado da utilização deste produto, poderá monitorizar a função hepática.

Saúde Óssea. Cuidar da saúde óssea nos anos que se seguem à menopausa é tão importante como gerir os sintomas a ela associados. Os centros de tratamento para o VIH devem verificar a saúde óssea das mulheres que vivem com VIH, que passaram pela menopausa. Isto porque, tanto o VIH como a menopausa aumentam os riscos de problemas ósseos.

O exercício regular baseado em pesos, parar de fumar, beber menos álcool, incluir cálcio na dieta e receber vitamina D suficiente são mudanças no estilo de vida que podem aumentar a saúde óssea.

This factsheet is due for review in February 2020

Translation by GAT Portugal (www.gatportugal.org)
Community Consensus Statement on Access to HIV Treatment and its Use for Prevention

Together, we can make it happen

We can end HIV soon if people have equal access to HIV drugs as treatment and as PrEP, and have free choice over whether to take them.

Launched today, the Community Consensus Statement is a basic set of principles aimed at making sure that happens.

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